O valor da versatilidade (na vida)

Fevereiro 17, 2017

O valor da versatilidade (na vida)

A cada vez que abro um processo seletivo, me pergunto se não deveria parar de fazer móveis de design e focar em um livro, filme ou seriado sobre as pessoas que vêm interagir com a empresa de maneira pelo menos improvável.

Claro, estamos falando de uma absoluta minoria: na maioria dos casos, quem vem conversar com a gente são pessoas maravilhosas, e é frequentemente uma escolha muito, muito difícil entre profissionais válidos e motivados.

Esta vez chegamos no seguinte nível de comédia. Publicamos uma vaga para analista de marketing na Trampos.co. Como é nosso dever, detalhamos o que o analista de marketing faz aqui: e oh, faz de tudo. Cuida de redes sociais, organiza eventos, analisa estatísticas, faz criação, foto, interage com a incrível equipe de assessoria da minha amiga Denise... 

Aí vem um tal de Renan que resolve me escrever para explicar que não posso. Não tenho direito de contratar um analista de marketing para fazer duas coisas diferentes. Que design é design, métricas é métricas, e marketing é marketing. Diz que ele até ligou para o sindicato dos publicitários de São Paulo perguntando se isso não fosse crime (gente, o que eu não daria para ver a cara da pessoa do outro lado do telefone...). E agora, já que essa de nos denunciar por um crime não colou, postou nas redes sociais que Acierno é "uma roubada".

Renan, meu querido. Tentei lhe explicar por e-mail privadamente, e você resolveu levar a conversa ao público - então me obriga a lhe responder publicamente também. O que está na descrição da vaga é o que efetivamente esperamos que a pessoa faça. Se você não tiver capacidade, motivação, competência e versatilidade para isso, não tem problema: não se candidate e não perca nem seu tempo, nem o meu. Mas lhe informo que quem efetivamente ganhou a vaga é uma pessoa que - além de tudo aquilo - consegue também fazer (e faz!) projetos 3D, de quebra. E é por isso que acho ele uma pessoa com um belo potencial de ter sucesso na vida, profissional e pessoal.

Sabe o que eu estudei, Renan? Engenharia. Engenharia biomedica. Ninguém me formou para ser administrador de empresa, marceneiro, marketeiro, ou descarregador de caminhão. Sabia fazer, bem ou mal, próteses de joelhos. E sabe o que faço todo dia? Joelhos? Nada disso. Eu descarrego caminhões, cuido de marketing, ajudo na marcenaria, e administro uma empresa.

Se achar que isto daí é uma roubada, bem, no fundo, você deve achar a vida toda, uma roubada. E provavelmente é nisto que discordamos. Eu acho a vida sensacional. Difícil, certo. Mas sensacional. Demanda esforço, criatividade, paixão, e muita, muita, mas muita versatilidade. Ter que fazer duas (duas? mil!) coisas por vez não é uma roubada, é o prazer de ser vivo.

Quem está aqui na Acierno compartilha desta minha paixão pela vida e desta atitude de versatilidade e flexibilidade. Deixe que - entre os leitores do grupo de "Vagas Marketing, Publicidade e Comunicação" - outros que tenham gosto e paixão pela vida também venham conversar com a gente. Não é porque você não dispõe das características necessárias para esta vaga que os outros também não vão ter, sabe?

Leitores e seguidores - fiquem então alertados. Não pelo Renan, e sim por mim pessoalmente. Aqui trabalhamos assim: cada um faz pelo menos duas coisas por vez. E com muito amor. É assim que construimos nossa credibilidade: se achar pouco (ou "zero"), o problema me parece fundamentalmente seu.

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Carlo